Aprofundar o debate sobre o que é viver em democracia é um dos principais objetivos do “Abril em Odemira – Festival da Justiça e Liberdade”, segundo Hélder Guerreiro, presidente da autarquia, que convida todos a participarem nesta celebração que decorre até 26 de abril.
Há 47 anos que a Câmara Municipal de Odemira (CMO) celebra o 25 de Abril, e este ano não é exceção. Mas mais do que fazer parte de um programa autárquico, Hélder Guerreiro, presidente da CMO, acredita que festejar esta data “já faz parte do ADN de Odemira”. “Acaba por mover toda a população do concelho, e temos essa evidência através das muitas pessoas que nos visitam nesta altura, porque entendem que aquilo que é a celebração do 25 de Abril em Odemira vai muito além dos concertos e da animação, já que efetivamente consegue trabalhar a memória, mas também a atualidade, ou seja, aquilo que é vivermos em democracia, com liberdade e num sistema justo para todos”, afirma o autarca em entrevista.
Com efeito, “debater a memória e a construção de futuros com liberdade e justiça” é, nas palavras de Hélder Guerreiro, a matriz do festival e “o principal impulsionador” do evento. “Este conceito de podermos, todos os anos, aprofundar cada vez mais um debate sobre o que é uma sociedade democrática e o que é uma sociedade livre é o que nos anima e é a partir dessa base que vamos trabalhando”, resume.

Presidente da Câmara Municipal de Odemira, Hélder Guerreiro

São muitas as atividades programadas ao longo dos vários dias do festival – que decorre entre os dias 11 e 26 de abril – nomeadamente, eventos relacionados com literatura, cinema, teatro, música, dança, entre outras manifestações artísticas. Hélder Guerreiro destaca ainda as exposições e as atividades que envolvem as escolas do concelho, todas com o intuito de “fazerem questionar o que é a liberdade e a democracia”.
Integrada no programa está também a conferência nacional subordinada ao tema “50 Anos de Poder Local Democrático”, que num dos painéis integra como convidados todos os presidentes da CMO eleitos democraticamente, à exceção de Justino Abreu dos Santos, eleito em 1976 e presidente até 1993, o qual faleceu recentemente. Fazendo uma retrospetiva, Hélder Guerreiro conclui que “Odemira não está igual ao que era há 52 anos e essa evolução também se deve ao processo e ao modelo de governação em liberdade”. Como tal, entende que “é a partir daqui, deste processo em democracia e liberdade, que devem assentar os futuros de uma sociedade mais justa e menos desigual”, pois “é preciso perceber que só em democracia e liberdade as desigualdades podem ser de facto reduzidas”. Esta conferência nacional marca o início das comemorações que a CMO levará a cabo até final do ano, dos 50 anos do poder local democrático.

Numa altura em que a conjuntura mundial parece reger-se por valores distantes dos defendidos pelo 25 de Abril, Hélder Guerreiro e a sua equipa não se deixam vencer, com o responsável a assumir mesmo que esse facto os “anima ainda mais” na realização do festival. “Na verdade, o facto de hoje termos mais autocracias do que democracias permite que nos coloquemos no lugar certo da história. E é também um ato de resistência e de resiliência este de estarmos aqui disponíveis para defender aquilo que são os valores da democracia e liberdade”, sustenta sem hesitação.
Na sua perspetiva, “é no lugar em que as pessoas estão e se conhecem, têm relações e criam laços que podem discutir assuntos face a face, podem tentar encontrar soluções para as divergências que têm”. Como tal, assegura que é nesse sentido que a CMO trabalha, para “garantir que a liberdade é muito mais positiva”, pois “com guerras a multiplicar, com atentados aos direitos humanos, nós sabemos bem que temos de dar o nosso contributo para que o mundo não seja dessa forma”.

Ao longo das várias edições, uma das características do “Abril em Odemira” que se mantém inalterada prende-se com a preocupação evidente de ir ao encontro dos interesses de públicos muito variados, sem excluir ninguém. Hélder Guerreiro assume que tal tarefa “é difícil”, mas está sempre presente. “Um festival da justiça e da liberdade deve ser para todos e incluir todos, e acabamos por fazer esse esforço logo na preparação, falamos com muitos públicos, nomeadamente, com os jovens, sobre aquilo que eles entendem que deve ser a parte da programação para eles, e acabamos por tentar incluir todos”, salienta. Acima de tudo, o objetivo é “que a vila de Odemira se transforme num palco gigante onde acontecem muitas coisas para toda a gente”.
Segundo o autarca, “até ao momento, o festival tem corrido bastante bem”, com vários momentos importantes previstos até ao fecho do evento, nomeadamente, “conferências, os principais concertos e as sessões solenes importantes de comemoração do 25 de Abril”, pelo que os dias vão continuar muito preenchidos. Mas o que importa reter é que “há uma certeza clara: para o ano tem de haver mais e temos de continuar a celebrar mais Abril”.

A Garota Não e Os Quatro Meia no cartaz do “Abril em Odemira”
Na noite de 24 de abril, A Garota Não e Samuel Úria sobem ao palco em Odemira para celebrarem a festa da liberdade, e na noite do 25 de Abril é a vez de Os Quatro e Meia porem toda a gente a cantar. Mas estes são apenas alguns dos nomes do extenso programa do “Abril em Odemira – Festival da Justiça e Liberdade” que pode ser consultado aqui, ou através da app, disponível para download na página da CMO.

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